Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti


sábado, 19 de julho de 2008

nobody knows me at all



fi-lo novamente
inclinado nas essências da noite linácea e pelos segredos de cedro
que abrem os caminhos da mácula
fi-lo
consciente que o alcatrão cobre a visão - preparando o espírito
fi-lo
nas igrejas que cobrem o outono quebrado, em pedaços de recifes

continuarás depois da morte
porque a mudança dura a vida inteira
e por isso não erguerás os fantasmas do futuro

estás – lentamente – a construir o teu próprio exército

1 comentário:

Anónimo disse...

Não é comum encontrar uma poesia de tamanha musicalidade. Os versos correm, flutuam numa espécie de manto a que poderíamos chamar morte, para regressarem à reconstrução do seu próprio exército (a vida? as outras armas que não foram usadas, mas que serão mais tarde arma de arremesso?).
Estes versos deixaram-me intrigado. Toda a poesia que nos deixa dúvidas tem, sem sombra de dúvida, ponto de deslize, ou seja, pergunta-nos sempre "e qual é o teu caminho", de um modo subtil. A "pedra no sapato" fica connosco ou seja, enfrentamos as nossas próprias dúvidas, os nossos medos.
Gostei.