frágil renda de barcelos incandescente ao olhar
tece a sobrevivência vagarosamente em cada fio
a felicidade é
feto de sete meses arquitectando auto-estradas separadas
é casa, paredes na luta de refúgio contra o ladrão esguio
a felicidade é
batimento cardíaco, sinal laranja
fundo da rua que suplica para acelerar
a felicidade é
visita espontânea de um amigo na flor do deserto
é fantasma que acende a vela das antíteses
a noite é uma gaveta desarrumada que flui com elegância
firme – não quer ausentar-se
insiste em ocupar um sorriso que um inventor vá vindimar
a nódoa negra afasta-se no sarar da pomada, por
boa educação
a felicidade
fervor na carne gretada de bofetadas que a idade oferece
nunca a respeitamos nos vales da insensibilidade
humana

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