Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti


sábado, 30 de agosto de 2008

Torpor

a felicidade é
frágil renda de barcelos incandescente ao olhar
tece a sobrevivência vagarosamente em cada fio

a felicidade é
feto de sete meses arquitectando auto-estradas separadas
é casa, paredes na luta de refúgio contra o ladrão esguio

a felicidade é
batimento cardíaco, sinal laranja
fundo da rua que suplica para acelerar

a felicidade é
visita espontânea de um amigo na flor do deserto
é fantasma que acende a vela das antíteses

a noite é uma gaveta desarrumada que flui com elegância
firme – não quer ausentar-se
insiste em ocupar um sorriso que um inventor vá vindimar

a nódoa negra afasta-se no sarar da pomada, por
boa educação


a felicidade
fervor na carne gretada de bofetadas que a idade oferece
nunca a respeitamos nos vales da insensibilidade

humana



Sem comentários: