Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti


domingo, 12 de dezembro de 2010

Karadeniz


as correntes deslizam a pele das tempestades
cercam este turbilhão de ventos onde o meu coração é negro
entre terra incógnita
entre os marinheiros de mil anos que trago atados ao colo
sopra vitória por chegar à orla onde cada pedra deste mar
recebe em paz todos aqueles que não chegaram

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

no wonder

colho os pedaços que deixei das terras pelas quais o nada foi semeado

o nada que agora atravessa este cais de angústia

estar sozinho até ao fim dos dias que são dias.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

a estranheza do dias no comboio

não sabia que um cavalo era tão sensível a uma voltagem tão mínima... e voltei atrás, ao comboio que usei todos os dias, com música dentro de mim, de olhos fechados... e saber... que estava inacessível, numa voltagem tão mínima...


o melhor pessimista

domingo, 14 de novembro de 2010

point of no return

O Bruno é um tipo agressivo. Toma um comprimido todos os dias de manhã para manter os nervos num nível adequado e apto à sociedade. Ninguém o pode contrariar. É teimoso, obstinado, não aceita críticas. O Bruno é o fruto de alguém desestruturado, sem valores, ideais. Tem um palmo de mão forte e implacável. Ameaça adultos como quem mastiga pastilha de boca aberta. São 17 anos de puro terror.
A terceira vez que estive com ele virou-se para mim: "Posso colocar uma música no youtube?". Pensei e respondi: "Está bem Bruno... estás a trabalhar e acho que não vai fazer confusão aos teus colegas". O Bruno pesquisa e deixa... os IlDivo a tocar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

like a sword

Every word is like an unnecessary stain on silence and nothingness.
Samuel Beckett 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

regras para a direcção do espírito


lavo ainda os sonhos, todos os dias, pela manhã
faço-os reparar no ente que esconde um cheiro de sono
e nele desenha a solidão da mobília que reveste cada palavra que explode pelo corpo
nele nasce um silêncio que baloiça as tarde de verão em que
chorámos a despedidas dos melros e o calor dos pulmões, que não voltam

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

15 de Julho de 2007

Reli todas as palavras que o meu corpo consumiu no tempo certo, sem o veludo das muralhas que fui construindo desde 2007. Já não sou quem era, diz o António. E sinto a distância de quem fui, e sinto que

estou perto.


Happy without you



Continuamos em frente, para norte.
Agradeço-te pelos dias gloriosos da minha vida - a ti que jamais irás ler estas palavras torpes.