Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

tres luces

tive o canto dos pássaros os ninhos o longo voo e o pecado já foi um espaço devoluto desobediente à luz da manhã desaguei em vigo nas casas naquele aroma que agora com fome não quer este filho que nasceu e geme pela deseducação da solidão depois de tudo que não fomos ainda penso em parir as águas amordaçadas e invadir este porto de sal lavavas a paciência o afeto e assaltos a pequenos sorrisos a morte, sabes – a morte da primavera nos olhos acolheu o passado novamente, o regresso à quietude do acordar e do fingimento lento rasteja de estômago vazio a lânguida saudade dos dias que não voltam

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

rasgões que permanecem

2191.455 dias desde a tua morte.


 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

vozes, paradas a observarem-me

http://www.wook.pt/ficha/confundir-a-cidade-com-o-mar/a/id/219255

sábado, 10 de agosto de 2013

cansaço do verão


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

e seguimos - em frente


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

pergunta

Marca a hora o relógio; mas, o que marca a eternidade?


Walt Whitman

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

não durmo

não durmo. há um ruído qualquer que incomoda. desconheço a origem - de onde vem, a sua estrutura. sei que o tempo desliza, uma cobra entre os canaviais de um pântano eloquente. não durmo - eu sei - o tempo. tempo. tempo. oiço uma canção qualquer, antiga, que roda a massiva noção humana.

não é possível - não podes. pára. sossega. deixa o acorde. vira-te para o lado. viro-me para o lado - mas sei não durmo. li as regras - o pensamento - a constante  - quero apenas

desmembrar as palavras, o vento e cair - flutuar no espaço negro - onde não há atómos, dores, não há - nada.

 não durmo e à minha volta - até amanhecer - a reviver todos os instantes em que o meu coração morreu

deixo-me

aqui.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

a arquitectura do corpo

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Espelho


Sou de prata e exacto. Não faço pré-julgamentos.
O que vejo engulo de imediato
Tal como é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, simplesmente verídico —
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Reflicto todo o tempo sobre a parede em frente.
É rosa, manchada. Fitei-a tanto
Que a sinto parte do meu coração. Mas cede.
Faces e escuridão insistem em separar-nos.
 
 
 SYLVIA PLATH

terça-feira, 16 de julho de 2013

topografia



incapacidade de construir uma casa - o frio ferra o vulcão morto interior-  hoje
é quinta-feira e o homem que maneja a arma da geografia vive numa viagem de comboio - colocámos um sopro insignificante entre nós - os brilhos dos gestos inequívocos ficaram comestíveis. cada cadeira deste comboio tem um bater
de coração, cada mala.
agora nada somos, apenas alienígenas – nada te ensinarei, nunca saberás como suportei a paciência dos dias, a espera, a beleza das asas cortadas, as latitudes áridas. nada irá acolher esta vírgula infinita – o corte da mão esquerda, a faca, o choro da manhã, os parasitas inofensivos que comemoram os meus domingos.
o grave dia em que construímos– a morada infértil do destino
onde nos encontrámos

marcado numa terra desconhecida


segunda-feira, 15 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

adormecido

http://www.tumblr.com/blog/oestetaadormecido


sexta-feira, 5 de julho de 2013

falcões





acordei. o calor entra pelo asfalto da pele. sigo a direção da falcoaria real. e o vidro aberto rasga-me o rosto com histórias e memórias. às vezes apetece-me continuar a conduzir e perder a noção - realidade, estrada, passado.

e, subitamente, aparece-me aquela "vida" - terei que começar a escrever,
novamente

do céu - num rasgão mortífero e veloz

aguarda-me com os resto das feridas.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

o peso que trago no corpo

quarta-feira, 3 de julho de 2013

planetas



planeta 377 

há seis anos a pele erradicou o crepúsculo do verão
e no frio da noite o céu rangeu a luminosidade dos olhos das hienas
jamais apareceram cometas

entrelaço a maldição num vulcão - adormecem
meus olhos na monção que atravessa a índia e deserta o caminho torto que descolámos

não faz sentido queimar lava já derretida
a morte das leis terá que chegar mesmo que
jamais aparecerão cometas 

quando engolirmos o calor dos dias grandiosos
a dignidade de aço desamarrada amanhecerá

e não passaremos uma vida inteira a fugir de quem somos

sábado, 11 de maio de 2013

cântico

canto os dias e as horas que passam
e se os perder, um dia
nada me fará arrepender de os ter vivido - na plenitude

domingo, 7 de abril de 2013

as veias da mão

na palma das mãos as teias, as presas, o veneno
do destino que não conhecerei
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

sábado, 30 de março de 2013

levitação

quinta-feira, 28 de março de 2013

mil línguas

falo
falo mil línguas - mas nunca serei entendido.