Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti


segunda-feira, 22 de setembro de 2008

até às células

inclinou-se sobre mim
embarca na corrente do rio que me conduz ao trabalho
deita uma poeira estranha pelo piso seco, enquanto o ar frio da manhã
envolve as pessoas num sono vagaroso

e será que alguém ouve o meu grito chernoblyístico?
alguém que possa escutar:

terça-feira, 16 de setembro de 2008

simplicidade




"Não deixes que te vendam sonhos impossíveis
Não sejas um escravo do regime da beleza
Olha novamente ao espelho e vê
Exactamente o quanto és perfeito "

*imagem retirada do site: antonioveronese.blog.com/

palavras de THE DIVINE COMEDY

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

mau feitio

(repetição)

não quero mudar aquilo que conquistei - neste momento

continuo disperso - talvez como um vinho, amadurecendo

só a mudez deste tempo inócuo nunca irá trair-me


qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência:

alegoria

didáctica do silêncio

queima-se o alento num sopro
implorando que uns canivetes quaisquer fechem as contusões

procuras decifrar os códigos dos corações alheios que passam na rua
procuras ser poeta que ao meio dia é apenas testemunha na paisagem lavrada
procuras não pedir mais do que logras
procuras o instinto animal suado nos genes distraídos

mas continuas em passo lento
há sempre um frio irreversível que embala esta matéria

procuras a flor que nenhum ar consuma o seu perfume
procuras e tentas de bicicleta, de comboio
uma casa que acolha o imoral e agasalhe a desordem

talvez
nasceste para não ter alguém que te acompanhe na viagem
por isso sossegas enquanto lês e escreves

a didáctica do silêncio

domingo, 14 de setembro de 2008

catacrese

O termo “família” é derivado do latim “famulus”, que significa “escravo doméstico”. Este termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo grupo social que surgiu entre as tribos latinas, ao serem introduzidas à agricultura e também escravidão legalizada.

but slavery is over so let's

break up the family and begin to live our lifes...

I want to see all my friends tonight

In a car - no brakes ? I don't mind

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

veneno

Nunca como hoje precisei tanto de parar. Saíste da minha vida. Uma verdade irrefutável mas demasiado pequena na sua desmesurada grandeza. E de repente estava tudo escuro. A noite já não dava lugar ao dia e eu tinha que continuar. São demasiadas mentiras tão cruelmente verdadeiras. Foi irreal. Sem uma palavra. Fatal. Outra vez fatal…

É urgente parar. Dizer-te adeus baixinho, aceitar as lágrimas, as saudades. É urgente encontrar tempo para te esquecer. Para que não mines a minha vida sem saberes, uma e outra vez. É urgente aceitar que partiste numa viagem sem regresso. É a realidade que tem que ocupar o seu lugar, penetrar devagarinho em cada molécula, em cada ínfima parte de mim. É urgente dizer-te “até nunca mais meu amor”.

E depois começar tudo outra vez. Devagar. Como quem tem todo o tempo do mundo. Um passo. E o outro. Mudar o que há para mudar, melhorar o que se descobriu imperfeito. O recomeço não deixa de ser mágico. Traz a nossa essência, o que éramos antes, a parte de nós de que tínhamos saudades.

Eu nunca fui de escolhas fáceis, de caminhos rectos. Gosto dos labirintos, das coisas complicadas. É por isso que no meio destas lágrimas quase sem razão, levanto a cabeça. E sei que vou ser outra vez minha, mais que tudo. Antes de todos. Sei que vou voltar a jogar. E sabe-me bem, sinto-me outra vez mais viva.

Sou outra vez só minha, sou outra vez só eu.
Se continuo tua?

Até sempre


retirado de "a cor do meu veneno"

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

eclíptica



E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma d'essa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!


Edgar Allan Poe

(tradução de Fernando Pessoa)

inside



"'Cos outside in the morning light
it's another day So she packs her bag, smokes a
fag and the world smiles 'Cos inside well she
feels all right, and turns to say: "Yes it's the
end, the final showdown Yes it's the end of our
small love You'll have to find another no one to
take the shit like I have Well I guess this is the
end, I guess this is the end... oh well..."

terça-feira, 9 de setembro de 2008

livre



continuar em frente.

perdoar será transcendermo-nos - li todas as máximas religiosas

perdoar é esquecer

mas

perdoar é não cobrar todas as experiências deitadas para o lixo

tenho uma janela para o pôr do sol. coloco a cadeira numa posição melhor

e sei que o espírito é livre


não esqueço - a alma rasga-se em vidros
pela dor infligida. que nome tem

não sei

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

metal

{merci de me rappeler Isa}


Burnt flavor you hold the big picture so well
Cant you see that were going to hell

Big monster lover
A bigger pusher over
Stands alone in most walks of life
Walks alone in most walks in life

Metal heart you're not worth a thing

silêncio

morri numa morte brusca, fria e cruel

a prova

são as marcas que deixei em cada espelho

igual, descrente e vazio

- bem vindos à didáctica do silêncio -

sábado, 6 de setembro de 2008