Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti


segunda-feira, 15 de setembro de 2008

alegoria

didáctica do silêncio

queima-se o alento num sopro
implorando que uns canivetes quaisquer fechem as contusões

procuras decifrar os códigos dos corações alheios que passam na rua
procuras ser poeta que ao meio dia é apenas testemunha na paisagem lavrada
procuras não pedir mais do que logras
procuras o instinto animal suado nos genes distraídos

mas continuas em passo lento
há sempre um frio irreversível que embala esta matéria

procuras a flor que nenhum ar consuma o seu perfume
procuras e tentas de bicicleta, de comboio
uma casa que acolha o imoral e agasalhe a desordem

talvez
nasceste para não ter alguém que te acompanhe na viagem
por isso sossegas enquanto lês e escreves

a didáctica do silêncio

Sem comentários: