Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti


sexta-feira, 12 de setembro de 2008

veneno

Nunca como hoje precisei tanto de parar. Saíste da minha vida. Uma verdade irrefutável mas demasiado pequena na sua desmesurada grandeza. E de repente estava tudo escuro. A noite já não dava lugar ao dia e eu tinha que continuar. São demasiadas mentiras tão cruelmente verdadeiras. Foi irreal. Sem uma palavra. Fatal. Outra vez fatal…

É urgente parar. Dizer-te adeus baixinho, aceitar as lágrimas, as saudades. É urgente encontrar tempo para te esquecer. Para que não mines a minha vida sem saberes, uma e outra vez. É urgente aceitar que partiste numa viagem sem regresso. É a realidade que tem que ocupar o seu lugar, penetrar devagarinho em cada molécula, em cada ínfima parte de mim. É urgente dizer-te “até nunca mais meu amor”.

E depois começar tudo outra vez. Devagar. Como quem tem todo o tempo do mundo. Um passo. E o outro. Mudar o que há para mudar, melhorar o que se descobriu imperfeito. O recomeço não deixa de ser mágico. Traz a nossa essência, o que éramos antes, a parte de nós de que tínhamos saudades.

Eu nunca fui de escolhas fáceis, de caminhos rectos. Gosto dos labirintos, das coisas complicadas. É por isso que no meio destas lágrimas quase sem razão, levanto a cabeça. E sei que vou ser outra vez minha, mais que tudo. Antes de todos. Sei que vou voltar a jogar. E sabe-me bem, sinto-me outra vez mais viva.

Sou outra vez só minha, sou outra vez só eu.
Se continuo tua?

Até sempre


retirado de "a cor do meu veneno"

1 comentário:

Sol disse...

Sabes, eu tenho descoberto nestes dias que a despedida não é assim tão dificil, traz muitas coisas boas... Volta sempre à cor do meu veneno! Vou passando =)
Beijinho *
Sol